Entorno Vivente: Arquiteta e designer lança peças utilitárias inspiradas na cidade de Maceió

Roberta Medeiros materializou uma coleção que dialoga com o fazer artístico de sete manualidades dentro da capital e de Água Branca/AL

 

Foto: Vitória Romeiro

A Design Store, no bairro da Jatiúca, foi o local escolhido para o lançamento da marca Drão, da arquiteta e designer Roberta Medeiros, que apresentou aos convidados na última quinta-feira, 26, oito peças que traduzem originalidade unindo concepção e práticas artesanais trabalhadas em conjunto. O evento reuniu profissionais liberais, das artes e de tendências de mercado, para uma noite de conexões e confraternização.

“Quando Roberta convidou a gente para ser o espaço de apresentação das peças dela, nós ficamos muito felizes, pois tanto eu quanto Joelma acreditamos que valorizar o feito à mão, o nosso, é muito importante. Então, a Design Store abriu as portas para que a arquitetura alagoana veja que existe profissionais bons e criativos que podem desenvolver pra eles peças maravilhosas e personalizadas”, destaca Suzana Costa, dona da B design. 

Expostas a fazer com quê os convidados girassem em torno das oito peças, o público presenciava arte, ali. Roberta viu além; ela sentiu que era preciso enriquecer o conceito através de histórias, tais como do bairro que morou (Farol), do bairro com grande protagonismo comercial do artesanato (Levada), ou, até mesmo, do bairro que, agora, apenas existem lembranças de um local que já fora densamente habitado (Mutange), além de expressões corriqueiras do alagoano (Arrudeio) e da gastronomia local (Beiju). 

“O conceito da coleção é a minha vivência como arquiteta e urbanista e designer maceioense. Todas as peças, ou é uma homenagem a algum bairro, ou àlguma gíria local, à culinária, os simbolismos, o artesanato, à fauna local. Tenho recebido feedbacks muito positivos, até de pessoas que não conheço bem”, afirma a idealizadora da coleção, Roberta Medeiros.

No lançamento estavam reunidas as oito peças que são elas:  

Foto: Vitória Romeiro

Luminária Arrudeio – A Luminária Arrudeio traz a abstração do movimento da cidade, das nossas danças e malemolência do dia a dia. A inspiração nos folguedos, no coco de roda, sambas, cirandas e correria do cotidiano, que nos coloca sempre em movimento, “arrudiando” por aí. 

A luminária de chão combina elementos como a mandala de cipó produzida pela Associação das Mulheres Artesãs Quilombolas Serra das Viúvas, palha de ouricuri e adereços de filé do grupo produtivo Luart.

 

Foto: Vitória Romeiro

Banco Mutange – O Banco Mutange parte da memória de um bairro que foi desocupado e apagado da cidade. Antes vivo e densamente povoado, o Mutange tinha vizinhança, história e a paisagem da Lagoa Mundaú. 

A peça tem uma estrutura de madeira de compensado naval feita pela marcenaria artesanal de André Nascimento da AN – Marcenaria Criativa e um mosaico desenvolvido com a artesã e artista plástica Vegas Leão. 

 

Foto: Vitória Romeiro

Cabideiro Aprumar – O Cabideiro Aprumar é uma dupla de cabideiros ou pendurantes de parede que remetem a algumas das pequenas esculturas vivas encontradas no mar: corais, algas e ouriços.

Feito artesanalmente de papel machê e pintados à mão, as mini esculturas foram produzidas por Clarissa Oliveira. 

 

Foto: Vitória Romeiro

Bandeja Beiju – Vivências também são criadas através de sabores e a bandeja Beiju vem para representar esse campo cultural e afetivo que é a nossa culinária local. O entorno nos presenteia com mariscos, peixes, frutas, sementes e raízes que se transformam em doces e salgados tradicionais.

Essa peça tem uma estrutura de madeira de compensado naval feita pela marcenaria artesanal de André Nascimento da AN – Marcenaria Criativa e uma base feita de conchas de Sururu produzida por Fernanda Ferro do Estúdio Monte Ferro.

 

Foto: Vitória Romeiro

Luminária Farol – A Luminária Farol remete ao simbolismo dos faróis que marcam e marcaram a história de Maceió, tanto o Farol da Jacutinga, o atual Farol do Jacintinho e o Farol da Ponta Verde. O marco visual dos faróis servem para orientar embarcações e criam marcos visuais na cidade, transformando tais estruturas em pontos turísticos e memórias de infância. Visto de longe, pode parecer um boneco, um peão de xadrez, sendo também um elemento estético e lúdico para a paisagem.

A base da luminária feita em papel machê pela artesã Clarissa Oliveira é coroada pelo chapeuzinho de palha de ouricuri produzido pela Associação das Mulheres Artesãs Quilombolas Serra das Viúvas. 

 

Clarissa Oliveira, uma das artistas com manualidade participante, relembra que conheceu Roberta, como cliente, de primeiro modo, a partir de uma feirinha que participara, no bairro do Jaraguá. “Ela pegou meu cartão e me fez uma visita. Eu sou uma pessoa muito literal e Roberta tinha um pensamento abstrato para a luminária. Então, conversamos e chegamos nessa peça que teria um chapeuzinho feito por artesãs e a base feita por mim, que remeteria ao [bairro e estruturas de um] Farol, ao mesmo tempo que, a peça remeteria à lembrança de ela achar que o farol lembra sempre um boneco, uma pessoa”, conclui a artista, que mora no bairro homônimo da peça produzida. 

 

Foto: Vitória Romeiro

Cabideiro Iapoi – O Cabideiro Iapoi parte do imaginário natural da Lagoa Mundaú, onde a fauna e a paisagem moldam a vista de diversos bairros, como Fernão Velho, onde vive o artesão José Firmo, esse território inspira o conceito e a forma da peça. Conhecido por transformar resíduos em esculturas, Firmo recria animais que habitam seu universo lagunar. Siri, peixe, e pássaro ganham forma no cabideiro de chão, compondo uma estrutura lúdica e colorida feita em papel machê e materiais reaproveitados. 

O nome faz referência à expressão local “iapoi” ou “iapois” e uma alusão ao gesto de apoiar objetos. 

 

Foto: Vitória Romeiro

Mesa Cristalina – A mesinha Cristalina traz o grafismo formado pela extensão de corais nas praias de Maceió, vistos facilmente por conta de suas águas cristalinas. A abstração vem dos corais em conjunto com os seres que lá habitam, como ouriços, estrelas e bolachas do mar. Através da transparência do vidro, o bordado filé produzido pelo grupo produtivo Luart retrata o formato escultural desenhado pela natureza. 

E a estrutura em marcenaria em compensado naval de André Nascimento da AN Marcenaria Criativa, reforça essa referência ao ambiente natural e praiano.

 

Foto: Vitória Romeiro

Poltrona Levada – A Poltrona Levada é inspirada no bairro da Levada, onde abriga o Mercado do Artesanato e o Mercado da Produção de Maceió. Contornando o Centro da cidade, este bairro é onde também se encontra o vai e vem do comércio tradicional e popular da capital alagoana. A grande mistura de encontros, texturas, sons, cores, cheiros e personalidades resultou nesta poltrona, demonstrando a potência que vem deste local.

A peça tem uma estrutura de madeira de compensado naval feita pela marcenaria artesanal de André Nascimento da AN – Marcenaria Criativa, almofada de palha de ouricuri da Associação das Mulheres Artesãs Quilombolas Serra das Viúvas e almofada de filé produzida pelo grupo produtivo Luart.

 

Para Leila Oliveira, foi bacana a proposta de unir as técnicas artesanais ao design contemporâneo, porque “trazer essa nova roupagem para o artesanato, inclusive, trazendo para o meio da arquitetura, da decoração, é mais um espaço para o artesanato ocupar e mostrar o que nós temos de bom”, conclui.

O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (Minc), operacionalizado pela Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

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