Festival Primavera Cultural floresce pelo interior e alcançará cidades de várias regiões de AL 

Somando as cidades percorridas e aquelas que irão sediar o Festival Primavera Cultural, são dez municípios alagoanos com o mascote Bulba à frente dos cortejos e uma programação de oficinas gratuitas voltadas à produção cultural local

 

Mascote Bulba, criado por Ingrit Lima e moldado pelas mãos do próprio Biribinha no Festival Primavera Cultura. Foto: Divulgação/Assessoria

“É um Boi Gato, minha filha”. Foi com essa resposta, acompanhada de sorrisos, que uma mãe apresentou à filha o personagem que passava pela Área Verde de Arapiraca, durante um cortejo em 2024. O mascote que chamou a atenção das duas é Bulba, um gato adornado por flores coloridas ao redor do corpo e da cabeça. Criado por Ingrit Lima, o personagem faz referência ao nome de sua cidade natal, associado à ideia de um “ramo que a arara visita”, e também presta homenagem ao Bumba-meu-boi. A partir dessas referências, Bulba se tornou o símbolo do Festival Primavera Cultural e acompanha o evento em sua circulação por vários municípios alagoanos, até abril do ano que vem. 

O Primavera Cultural nasceu de uma ideia despretensiosa: comemorar o aniversário de Anderson Barros, diretor de projetos e parceiro de Leonardo Dias na idealização da Oxe Produções. O que seria apenas uma festa tomou novas proporções e se tornou a primeira superprodução independente da produtora. “A gente sempre gostou de participar das ativações. Os festivais têm várias atividades para a gente se divertir, não simplesmente os shows. A ideia surgiu com esse intuito”, relembra Leonardo.

Na época, Arapiraca completava 99 anos, e os produtores sentiam que uma das principais cidades do interior de Alagoas precisava de algo maior para celebrar sua cultura. A ideia veio das referências que a dupla encontrou em outros festivais pelo estado e ganhou forma na primeira edição, com copos personalizados, pulseiras, dois palcos, área de descanso, espaço gastronômico e uma feirinha de economia criativa. 

Foto: Divulgação

“Todas essas ideias se combinavam perfeitamente para existir em um festival que traz como movimento principal a conexão e visibilidade da cultura alagoana. O Festival Primavera Cultural sempre teve como missão provocar os movimentos culturais já existentes e descobrir os novos que estão surgindo”, resume Dias.

O crescimento do Primavera também veio acompanhado de novos caminhos para viabilizar o projeto. Depois de contar com parceiros locais na estreia e passar por um edital do Sebrae no ano seguinte, a Oxe Produções foi, em 2026, a única empresa de Arapiraca aprovada no Programa Rouanet Nordeste, do Ministério da Cultura, com patrocínio do Banco do Nordeste.

“A gente sempre está se desafiando a encontrar e aproveitar as oportunidades de realizar os nossos projetos que cumpram o objetivo de democratizar o acesso à cultura”, explica Leonardo Dias. 

Festival movimentando a economia criativa do interior

Desta vez, o Festival Primavera Cultural sai de Arapiraca para percorrer outros municípios alagoanos, e o Bulba vai na frente. Junto a ele, seguem os brincantes que levam para as ruas lendas do imaginário nordestino, como a Rasga-Mortalha, o Fogo Corredor, a Cachorra de Palmeira e o inusitado Jacaré da Ladeira do Claudionor, uma homenagem bem-humorada da produção ao episódio dos jacarés que apareceram em uma rua de Arapiraca. Formada por atores e atrizes de Craíbas e Arapiraca, a trupe acompanha o mascote desde o primeiro cortejo, em 2024.

Rasga mortalha em um cortejo. Foto: Divulgação/Assessoria

A circulação também envolve quem já trabalha com cultura em cada município. Para colocar a programação de pé, o festival conta com produtores locais, responsáveis por fazer a ponte com artistas, equipamentos, espaços para as capacitações e divulgação. “É ele quem nos ajuda a fazer todo esse rolê acontecer, desde a conexão com os artistas e o aluguel de equipamentos até a escolha do local ideal para as capacitações e a divulgação. A gente não quer deixar a galera perder essa oportunidade”, explica Leonardo.

A Ilha do Ferro foi a primeira parada dessa circulação. Em Pão de Açúcar, o diretor de arte do festival, Helianderson, comandou a formação “Direção de Arte em Projetos Multiculturais”. A escolha do tema partiu de uma experiência que ele já tinha vivido na comunidade: em 2025, utilizou objetos de arte produzidos na Ilha do Ferro na direção de arte da série de ficção Contos Perdidos de Alagoas. Na oficina, compartilhou esse processo com os moradores e apresentou outras possibilidades de trabalho no campo da arte e do audiovisual.

Foto: Divulgação/Assessoria

Segundo Leonardo, alguns desses profissionais passaram a ser reconhecidos e chamados para outros trabalhos depois de atuarem no festival, incluindo gravações de séries e filmes em Alagoas e em outros estados do Nordeste.

“Após a execução do projeto, eles foram descobertos, reconhecidos e chamados para outros trabalhos, como gravações de séries e filmes aqui em Alagoas e em outros estados do Nordeste”, relata. Para Leonardo, ver profissionais que passaram pelo festival atuando em outras produções é uma das consequências desse trabalho. “Eu me sinto muito realizado quando o festival serve como um desafio que a pessoa consegue enfrentar e realizar, tornando-se capaz de atuar em outros projetos pelo estado”, afirma.

Roteiro da 3ª edição do Festival Primavera Cultural 

Foto: Divulgação/Assessoria

A caravana percorre municípios alagoanos com cortejos do mascote Bulba e capacitações gratuitas voltadas à produção cultural local. Confira o roteiro completo:

Em 2026:

  • 10 de outubro: Penedo
  • 21 de novembro: Arapiraca
  • 5 de dezembro: Arapiraca | O evento principal terá nove horas de programação, com apresentações musicais, espaço gastronômico e feira de economia criativa.
  • 19 de dezembro: Junqueiro

Em 2027:

  • 16 de janeiro: Feira Grande
  • 27 de fevereiro: Palmeira dos Índios
  • 13 de março: Girau do Ponciano
  • 10 de abril: Paripueira
  • 24 de abril: Traipu

Últimas notícias

Inscreva-se para sempre receber as nossas novidades

Comente o que achou: