Giro Musical: A energia feminina das Divas do Rock

Entrevistadas de julho falam sobre inspirações e as experiências que influenciam a banda

O que pode surgir da união de cinco musicistas? Com certeza, algo potente. Em Maceió, a união de Larih, Marília, Julia, Nicole e Clara se traduziu nas Divas do Rock, projeto focado em música feita por mulheres. Elas foram as entrevistadas deste mês do Giro Musical. Confira:

Revista Alagoana: O rock sempre carregou uma imagem muito associada ao universo masculino. Em algum momento vocês sentiram que a presença das Divas do Rock ajudou a ampliar esse espaço para outras mulheres? 

Divas do Rock: Na nossa visão, ampliou bastante. Uma banda formada só por musicistas mulheres faz com que muitas meninas se inspirem e entrem ainda mais na cena do rock. Quanto mais a gente mostra o que as mulheres são capazes de fazer na cena rock, mais espaço se abrem para novas artistas.

Não apenas no rock, mas a cena musical como um é dominada pela presença masculina. Então, ser musicista já chama atenção. Especialmente no recorte do rock, em uma cultura machista, sempre parecem se “surpreender” ao verem uma mulher tocando e dominando o palco com atitude em uma guitarra, bateria… E sabemos que por um lado pode ser negativo sermos vistas como algo extraordinário ou de “apenas chamar atenção por ser mulher”, mas o melhor impacto é receber mensagens de meninas que começaram a tocar após nos verem, ou como isso as deu vontade de continuar, de se dedicarem mais ao instrumento. É muito bom saber que apenas estar ali é ser uma influência para ampliarmos nossa conquista no espaço e ganharmos mais rockeiras.

 

Revista Alagoana: Quando vocês começaram, existiam referências locais de bandas femininas ou com protagonismo feminino? Como essa ausência ou presença influenciou o percurso das Divas do Rock?

Divas do Rock: Existem bandas com vocais femininos e instrumentistas, como a Lugar Algum, mas ainda são poucas. Isso fez com que a gente se juntasse para dar mais visibilidade e mostrar que podemos ter uma banda 100% feminina e num nível extremamente bom. A ausência de uma banda assim nos influenciou a sermos as primeiras.

Algumas de nós trabalhamos com música há anos, eu [Júlia] já fui acostumada a ser a “única menina” de inúmeros projetos. E acho isso péssimo. Principalmente no rock, chegamos para firmar uma banda 100% feminina em Alagoas, algo que não se ouvia falar há décadas. No samba e outros estilos, como pagode, felizmente encontramos este mesmo fenômeno em 2026. Por ser uma cidade turística, são alguns dos gêneros mais populares daqui. O nosso intuito de estarmos juntas não é apenas uma questão de causa, mas uma questão de juntar toda força que sentíamos que poderia existir nesse encontro. Já havia admiração entre as Divas, e felizmente, cresceu uma amizade entre nós.

Revista Alagoana: Quando vocês pensam na história das Divas do Rock, quais elementos acreditam que definem a identidade da banda e a diferenciam de outros projetos do gênero?

Divas do Rock: O que mais define a banda é ter o setlist totalmente voltado ao vocal feminino, e o que nos diferencia é transformar músicas pop numa pegada rock. Tanto a banda quanto as músicas do repertório são apenas de mulheres, é algo bem único, pelo menos aqui pelo estado. Nenhuma música carece do protagonismo feminino, só entra no repertório se for assim.

Revista Alagoana: Existe alguma música que sempre emociona ou empolga mais o público? 

Divas do Rock: Sempre que tocamos “Na sua estante” e “Me adora” da Pitty, a galera se empolga bastante. As clássicas do rock, tipo I Love Rock and Roll, fazem o pessoal engajar mais e “Bring Me To Life” é um clássico que todos pulam e cantam juntos. 

Revista Alagoana: Nesse tempo de banda, qual experiência foi a mais marcante para vocês?

Divas do Rock: Fazer parte do Lineup do Show do Supla, abrindo o show dele, e tocar no Vila Vinil, lá em Arapiraca, foram momentos  incríveis. O festival em Arapiraca foi marcante por ser nosso primeiro show fora de Maceió, contamos com um público grande e ativo que já acompanhava a banda, que viajaram algumas vezes para nos ver de novo. Saber disso e sentir esse calor é muito recompensador. 

Revista Alagoana: Qual foi a reação do público que mais surpreendeu vocês? 

Divas do Rock: É sempre maravilhoso quando o pessoal dança e canta junto, mas receber um cartaz nos surpreendeu bastante. Ele era todo personalizado e tinha escrito “HOT GIRLS ❤️ DIVAS DO ROCK”. Ficou na história!

Revista Alagoana: Como vocês avaliam o cenário do rock em Alagoas? 

Divas do Rock: Ainda é um cenário difícil, por mais que tenha melhorado bastante, principalmente a valorização, tem muita banda boa que não é valorizada. Existem muitos projetos estaduais que apoiam artistas alagoanos, e isso é incrível, mas a cena do rock ainda é pouco remunerada. Mas, felizmente, é um cenário que está crescendo bastante, tanto nas bandas covers quanto nas autorais. Ficamos felizes de ver o gênero ter mais destaque. 

Revista Alagoana:  Em algum momento, vocês pretendem fazer alguma música autoral? 

Marília: É o meu sonho.

Julia: Tenho muita vontade de compor junto das Divas, mas por enquanto apenas tocamos o que já fizemos em outros projetos ou solo. Tem uma música minha chamada “Disco Dark” da banda punk “Sereia Problema”. Também lancei um álbum esse ano de um projeto para o público infantil chamado “Tia do Rock”, acredito que cabe inserir em próximos shows, pensando nas meninas que nos assistem, pois muitas vezes é a primeira vez delas vendo rockeiras no palco! Eu mesma não via mulheres tocando guitarra e cantando ao vivo quando nova.

Revista Alagoana: O que vocês esperam que o público sinta ao assistir um show das Divas do Rock? 

Divas do Rock: Que curtam bastante, dancem, cantem, saiam felizes pela energia que passamos, e se divirtam apreciando o rock vindo de mentes femininas. O Rock é sobre se divertir, curtir um bom som de qualidade e se sentir bem ao seu redor. Não tem como tocar/ouvir músicas emblemáticas e ficar parado. A melhor coisa que sinto é quando vejo o pessoal batendo cabeça junto de um sorriso.

Revista Alagoana: Quais outros artistas alagoanos vocês indicam para o público conhecer? 

Larih: Zona 8, Ravel, Myrna Araújo, Lady Scarlet.

Marília: Lugar Algum, Swollen, Larine, Antônio da Rosa, Os Fugitivos, Trio Mundaú, Orquestra Som do Nordeste.

Nicole: Angels with Umbrellas, Quarto Vazio, Lugar Algum, Lieko, Dez e Pouco.

Julia: fffffffff, Mavi Brown, Vox Nocta, Paredão Vinyl, MonsterSide, Ravel, Pedro Salvador, Räivä.

Revista Alagoana: Para cada uma de vocês, o que mais te encanta na música?

Larih: A sensação de ver o público feliz curtindo seu som, é muito gostoso.

Marília: Sentir a energia do público é incrível sempre, me sinto muito motivada a tocar.

Nicole: As sensações que você tem quando realmente se deixa levar pelo som.

Julia: Como aquilo te traz pro momento presente, cada segundo importa; e como às vezes toca depois na sua mente, e te transporta novamente para boas sensações. Ou seja, a capacidade da música te levar para onde ela quiser. 

Revista Alagoana: Qual o papel que a música tem na vida de vocês? 

Larih: A música salva minha vida todos os dias.

Marília: Trabalhar e viver de música mudou completamente a minha vida. Pude conhecer novos lugares, pessoas, projetos incríveis e também mudar a vida de muita gente através do meu trabalho.

Nicole: Preenche o vazio. 

Julia: É simplesmente o ar que eu respiro! 

Revista Alagoana: Se a banda fosse uma única música de rock da história, qual música seria?

Divas do Rock: Just a Girl do No Doubt.

Revista Alagoana: Quais os planos das Divas do Rock daqui para frente? 

Divas do Rock: Continuar crescendo e tocando para mais e mais pessoas, e continuar fazendo com que os nossos shows sejam uma experiência para todos que assistem, não é apenas pela boa música, mas por toda energia que entregamos a vocês, por estarmos fazendo o que mais gostamos. 

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