Giro Musical: Novos singles e álbuns evidenciam a variedade da música produzida em Alagoas

Entre março e junho, Alagoas ganhou novidades em vários gêneros musicais: Forró, pop, lo-fi, psytrance e hip-hop evidenciaram que o estado segue com uma produção musical intensa. Nessa lista, você confere um pouco de cada.

Larine e Rodrigo Avelino  – single ‘No forrozin’

De uma ideia da cantora Larine em fazer um show tocando canções de MPB com Rodrigo Avelino, surgiu o projeto “Forrozin”, que tem como objetivo, segundo os artistas, proporcionar uma experiência nordestina autêntica, com repertório conhecido, energia contagiante e formato adaptável a diferentes estruturas de palco.

Misturando forró pé de serra, forró das antigas, xote romântico, canções autorais, arrasta-pé e releituras populares em ritmo de forró, o espetáculo tem faixa etária ampla e pretende reunir toda a família. 

“Começamos a pensar nessa questão do show, de como seria esse show de MPB.  De repente, Larine pensou que poderíamos fazer um show num numa pegada mais de São João. Eu gostei da ideia, começamos a pensar no nome. Passado o tempo, surge o nome “Forrozin”. Como já tinha a ideia do show,  fiquei pensando, ‘a gente poderia fazer uma música com esse nome e lançar’. Ela gostou da ideia também. E com isso, surgiu o single e o projeto Forrozin”, conta Rodrigo Avelino. 

Escute “Forrozin”

Risel e Cravo Branco – single ‘Atração’

O pilarense Risel e o arapiraquense Cravo Branco fazem parte de um recorte importante da produção artística alagoana contemporânea, e em junho, lançaram o single “Atração”. Antes da música existir como uma colaboração, os dois já se acompanhavam pelas redes sociais. Através de um amigo em comum esse encontro surgiu. A partir dali, a admiração virou amizade e, depois, “Atração”. 

O processo, segundo os dois, aconteceu de forma rápida. A música começou a ser composta por Cravo em 2024 e no início de 2026, foi apresentada a Risel. A partir desse encontro, a faixa ganhou uma nova direção. O caminho foi orgânico: Risel iniciou a produção no dia em que ouviu a música pela primeira vez. Em abril, escreveu a ponte e em maio os vocais foram gravados.

“Quando escuto essa música eu me sinto alegre e, na parte final, fico rindo bobo porque lembro da gente se divertindo no estúdio”, conta Cravo Branco. Para Risel, a faixa marca o ponto de encontro entre dois universos: “É nossa primeira colaboraçãoe a terceira música de cada um. Acho que era pra ser. É um ponto de encontro entre o meu mundo e o mundo dele. É bem diferente do que já lançamos, mas é muito parecido com a gente”, afirma.

Escute “Atração”

Huná – single ‘Bandida Má’

Lançado como single em janeiro e com o videoclipe em março, a cantora e compositora Huná inaugurou uma nova fase em sua trajetória artística. A produção expande a mensagem da faixa ao traduzir em imagens temas como autonomia, afeto e conexão com Maceió.

Com sonoridade pop e influências do rap e do hip-hop, Huná cita que a faixa fala da força, autoestima e liberdade feminina, transformando a decepção amorosa em afirmação pessoal. “Acredito que o lançamento de Bandida Má foi um grande mediador na luta que eu travava comigo mesma em relação aos meus relacionamentos. E aí quando ela ganha o mundo, vem para ensinar que apesar de tudo, precisa continuar vivendo. Que o fim é um começo lindo, cercado de amigas e boas companhias.”, relata a artista. 

Escute “Bandida Má”

Vitor Pirralho – álbum ‘Refrãos – Esboços de canções que podem acontecer ou não’ 

Com o conceito nascido de registros acumulados ao longo dos anos em anotações e gravações de voz feitas no celular do artista, Vitor Pirralho lançou o álbum “Refrãos – Esboços de canções que podem acontecer ou não”. São melodias, refrões e frases que permaneceram em estado de esboço e que agora ganham tratamento de estúdio sem perder o caráter de obra em construção.

Segundo o artista, a proposta dialoga diretamente com o ritmo acelerado da cultura digital. Em um cenário marcado por vídeos curtos, mudanças rápidas de conteúdo e disputas constantes pela atenção do público, “Refrãos” transforma essa lógica em linguagem artística. As faixas são tão breves que, muitas vezes, a próxima começa antes mesmo que o ouvinte tenha tempo de pensar em trocar de música.

“O álbum representa, de maneira geral, o que todo lançamento representa para seu autor: a felicidade de pô-lo no mundo e a ansiedade de colher as interpretações dos ouvintes. Mas Refrãos, especificamente, representa um desafio. Pelo fato de sua proposta, no formato, ser inédita, talvez cause desconforto à primeira audição, como causou na première que fizemos com convidados especiais, então a ansiedade em torno deste lançamento é mais patente que a de qualquer outro trabalho que já lancei. É algo sincrônico com a linguagem da modernidade, mas artisticamente atemporal.”, expõe Pirralho. 

Escute “Refrãos”

Wake Up – “Sobre viver”

Após mais de uma década de hiato, a banda Wake Up lançou o single “Sobre viver”. Com influências de pop punk e hardcore melódico, a música combina guitarras rápidas, dinâmica crescente e um refrão marcante com momentos mais introspectivos. A sonoridade dialoga com referências como blink-182, Dead Fish, CPM 22, Millencolin, NOFX, The Story So Far e Rufio.

“A faixa representa um novo capítulo para a banda, construída sobre amadurecimento, resistência e recomeços. A letra aborda conflitos internos, resiliência e a busca por seguir em frente apesar das quedas e das marcas deixadas pelo tempo. De certa forma, a mensagem da música reflete a própria trajetória da banda e sua volta após mais de dez anos..”, relata a banda. 

Escute “Sobre viver”

Brainlapse e Limbu – single ‘Alien’s puppet’

A faixa foi feita em parceria entre Brainlapse e Limbu, dois artistas alagoanos que tem o mesmo objetivo: disseminar a cultura psicodélica. A música teve destaque por todo o Brasil e teve seu lançamento feito por uma gravadora da Sérvia: Tesseract Studio.

Escute “Alien’s puppet”

Louis Souza – álbum ‘Antes que o mês acabe, de novo’

Apesar de ser criado em uma família de músicos, o artista decidiu atuar de maneira mais profissional com música há poucos anos, com composições e parcerias com outros(as) artistas, principalmente de Maceió. Em 2025, resolveu produzir o próprio EP do começo ao fim. Sem ter muitos recursos e/ou instrumentos, fazer música pelo computador parecia uma saída. 

Esse trabalho também marca uma mudança recente na forma como Louis tem feito música, se colocado mais como produtor, beatmaker e como alguém que constrói a faixa por dentro, pensa em camadas, trabalha textura, do que necessariamente alguém que precisa estar no centro.

“É um lugar que me interessa mais agora, e ainda é tudo bastante novo. Mas, mesmo dentro dessa mudança, a mesma pergunta continuava voltando: isso é bom o suficiente? No fim, a resposta é que isso nem é exatamente o ponto. O que importa é que existe, que foi feito, que chegou até aqui. Porque o tempo passa de qualquer jeito – com o trabalho guardado ou fora do computador. E se o mês vai acabar de novo, que pelo menos seja com isso já no mundo.”. 

Ouça “Antes que o mês acabe, de novo”

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