Em entrevista, o fotógrafo revela sua busca por registrar a essência das histórias através da fotografia documental e gastronômica

A trajetória de Arthur Costa no audiovisual começou por influência familiar. Filho de músicos, ele iniciou sua prática registrando as apresentações da banda de axé do pai. O contato com os palcos o levou a adquirir a primeira câmera e a focar na fotografia como ferramenta para narrar histórias e capturar momentos.
Aos 25 anos, o publicitário conhecido como “Biro”, atua no mercado de marketing e desenvolve trabalhos de fotografia documental para órgãos estaduais. Para ele, a imagem estática vai além do registro técnico, servindo como uma plataforma de interpretação para quem a observa.
Nesta entrevista, Costa explica como a vivência com a família e a fotografia documental moldaram sua carreira. Ele detalha os processos por trás de suas composições e seu objetivo de produzir imagens que priorizam a narrativa visual.
R.A: Arthur , antes de qualquer coisa, eu gostaria que você contasse um pouco da sua história. Quem é Arthur e de onde vem? Em que momento você se apaixonou pela fotografia?
Arthur Costa: Sou Arthur, mais conhecido como Biro, um jovem alagoano de 25 anos que sempre esteve inserido na arte, desde a infância. Minha família paterna é composta por alguns músicos e eu sempre gostei de acompanhar os shows. Na adolescência, comecei a fazer algumas captações mobile das apresentações para ajudá-los nas divulgações. Posteriormente, comecei a trabalhar como videomaker mobile até conseguir comprar minha primeira câmera e entrar, de fato, no mercado da fotografia.
R.A: Seu primeiro contato com o audiovisual veio ainda na adolescência, registrando os shows da banda de axé do seu pai. Como essa vivência – tanto familiar quanto dentro do meio artístico desde tão cedo – ajudou a moldar o olhar fotográfico e profissional que você desenvolveu ao longo da carreira?
Arthur Costa: Na minha visão, a arte é fundamental para o nosso desenvolvimento criativo: quanto mais consumimos, mais reproduzimos. Estando nesse meio, conheci muitas referências que me interligam a outros tipos de arte, entre eles, a fotografia.
R.A: A fotografia documental costuma exigir sensibilidade para observar, escutar e interpretar contextos. Como essa prática contribuiu para consolidar sua linguagem visual?
Arthur Costa: Eu sempre tento contar histórias através das minhas fotos. A experiência com a fotografia documental me ajudou muito nisso; estar vulnerável e focado ao mesmo tempo é um desafio, mas a vivência com palcos e shows me deu uma base importante.
R.A: Quando você está em campo, o que faz um elemento se tornar o centro da sua atenção? Existe um processo mental, técnico ou sensitivo que acontece antes do clique?
Arthur Costa: Na maioria das vezes, o processo é muito sensitivo e automático, mas busco sempre trazer algum contexto e margens de interpretação.
R.A: Você tem alguma foto que te marcou durante toda a carreira como fotógrafo? Se sim, você pode contar qual é essa imagem e a história por trás dela?

Arthur Costa: É uma foto para a sorveteria Belo Monte, que me introduziu no nicho da gastronomia, setor pelo qual me apaixonei e no qual pretendo realizar grandes trabalhos. No dia, fui pego de surpresa para fotografar o sorvete de paçoca que estava na vitrine, recém-saído. Eu não tinha planejado fotografar naquele momento, mas, a pedido deles, fiz o registro sem nenhum material de apoio ou iluminação, usando apenas uma referência simétrica que identifiquei de forma intuitiva.
R.A:. Na fotografia realizada no show de rock do artista alagoano André Antunes, você comentou que buscou “expressar a estética mais punk e caótica do show”. Como decisões estéticas como essa, em que a intenção orienta o modo de fotografar, se conectam à linguagem visual que você vem construindo ao longo da sua carreira?

Arthur Costa: Vejo que a fotografia é um mundo muito aberto e interpretativo; a arte nos permite isso. Meu objetivo de carreira é conseguir contar histórias através de um visual cada vez mais elaborado.
R.A: Quando você pensa no futuro, acha que sua linguagem visual vai se abrir ainda mais para coisas novas ou caminhar para um estilo mais específico? E o que você sente que ainda não conseguiu explorar do jeito que gostaria?
Arthur Costa: Sou bem aberto quanto a isso. Hoje atuo mais com publicidade, mas a fotografia para mim também é um hobby e tenho muito interesse em continuar aprendendo sobre outros nichos. Eu adoraria fotografar mais esportes, especificamente o surfe.