Giro Musical: A paisagem sonora da Lugar Algum

Formada em 2023, banda alagoana vem conquistando diversos espaços dentro e fora do estado

Do nome inspirado por uma música do Titãs, ao termo “punk de chupeta”, inventado para definir a sonoridade do primeiro álbum, uma coisa é certa: a banda alagoana Lugar Algum vem conquistando cada vez mais espaço no cenário musical brasileiro, especialmente com o lançamento do primeiro álbum, que foi comentado em diversas páginas de crítica musical.

Conversamos com Sofia Bagetti, baixista e Matureu, guitarrista, sobre o processo de criação e lançamento do álbum. Confira:

Revista Alagoana: Como a relação de vocês com a música começou?

Sofia: Desde pequena tinha afinidade com a música. Meus pais sempre conviveram com muita música ao redor, e meu pai toca alguns instrumentos também. Então, quando eu era pequena, meu pai tocava violão e eu ficava cantando com ele. Com 7 anos escrevi uma música que minha mãe guarda até hoje. Já na pré-adolescência, comecei a me interessar em aprender mais sobre os instrumentos, comecei a tocar violão. Aos 14, fiz aula de piano por um tempo e depois da pandemia parei. Em 2023, conheci Matureu e formamos a banda.

Matureu: Sempre tive uma relação com a música, porém mais no lugar de ouvinte do que de alguém que faz música. Desde criança, minha mãe sempre colocava Djavan e Milton Nascimento para tocar, enquanto minha irmã curtia Calcinha Preta, Limão com Mel e outras bandas do tipo. Foi só em 2021, quando me mudei, que comecei a reparar em um violão que costumava ficar escondido lá em casa e que eu tinha ganhado de aniversário em 2018. Aí, comecei a tocar mesmo naquele ano e, em 2023, já comecei a compor minhas primeiras canções, sendo a primeira delas “Pra Quando”, que está presente no nosso álbum. 

Revista Alagoana: Quais são suas inspirações musicais?

Lugar Algum: Acredito que nossas maiores inspirações acabam sendo as bandas com as quais fazemos shows juntos, tanto daqui de Maceió, quanto de fora. Claro que também rola inspiração naquilo que já escutávamos antes e até de bandas gringas, mas o que mais nos inspira são essas conexões de conhecer bandas novas, tocar junto ou simplesmente ir a shows.

Vou citar alguns nomes que são referências enormes para a gente: Azul Azul, Cidade Dormitório, Sérgio Sacra, Lieko e Lupe de Lupe. Acho que essas bandas se encaixam muito nessa parte de tocar juntos e ir a shows, além da experiência em turnês, que admiramos bastante, principalmente da Lupe de Lupe e da Cidade Dormitório.

Revista Alagoana: De onde surgiu o nome “Lugar Algum”?

Lugar Algum: Em 2023, eu [Sofia] e Matureu estávamos bem viciados nos Titãs. Nessa mesma época, formamos a banda e passamos por um processo demorado de decisão do nome. Até que um dia a gente pensou na música Lugar Nenhum, que é deles. Só que aqui em Maceió já tem um boteco chamado Lugar Nenhum, então, para não ficar igual, fizemos uma pequena alteração e acabou virando Lugar Algum.

Revista Alagoana: Como foi o processo de produção do primeiro álbum da banda?

Lugar Algum: Foi um processo longo, pois gravamos 3 músicas do álbum lá para abril de 2025, em um estúdio e fomos lançando elas como single. Só depois de um bom tempo, já no começo desse ano, que conseguimos gravar as outras 5 músicas, em outro estúdio, e finalmente conseguimos lançar o álbum completo. Ao longo desse tempo, as músicas foram evoluindo bastante e ganhando novos elementos.

Revista Alagoana: Como vocês avaliam esse primeiro mês de lançamento do álbum?

Lugar Algum: Está sendo surpreendente. Aconteceram várias coincidências que fizeram com que nosso álbum chegasse a diversas pessoas. A turnê nos apresentou para muita gente de fora de Maceió, além de nossa música “Abril” ter entrado na playlist editorial Alt BR do Spotify e de termos aparecido em destaque em alguns perfis de música, como a TMDQA! e o Gustavo Chagas, vídeos que levaram nosso álbum para várias pessoas fora do Nordeste.

Revista Alagoana: As músicas são autorais. Como é o processo de produção? De onde surge a inspiração para compor?

Lugar Algum: Existem dois processos de composição na banda. O primeiro é mais individual, em que eu [Matureu] ou Sofia compomos a base e a letra de uma música e já a deixamos pronta para apresentar à banda. O segundo processo acontece justamente quando apresentamos a música e criamos um arranjo para ela.

Geralmente, já chegamos ao estúdio com a música arranjada e apenas gravamos. De vez em quando, surgem novas ideias no estúdio e, se fizerem sentido com a música, nós as mantemos. Foi o que aconteceu com aquelas guitarrinhas de “Com Você”, que surgiram no último dia das gravações de guitarra. Todos nós curtimos e decidimos deixá-las na música.

E acho que as inspirações para as letras vêm das nossas próprias vidas. Mais especificamente, das nossas vidas de dois anos atrás. Essas músicas falam bastante sobre essa fase específica das nossas vidas como jovens adultos: desilusões amorosas, primeiros amores e até sobre o lugar onde moramos. Tudo isso conversa bastante com o nosso primeiro álbum. 

Revista Alagoana: Quais músicas são as “queridinhas” de vocês? E quais vocês acham que o público gosta mais?

Lugar Algum: A música favorita do Matureu é “Calor”. Já Sofia e Marília compartilham a mesma favorita, que é “Hemisférios”. Essas são as músicas mais agitadas do álbum e também as que mais gostamos de tocar ao vivo. O fato de elas terem ficado tão fiéis ao que fazemos nos shows fez com que gostássemos ainda mais delas em estúdio. Já do lado do público, percebemos que a galera curtiu bastante “Saudade!!!”, uma faixa que foge um pouco da pegada geral do álbum, então isso acabou nos surpreendendo bastante! 

Revista Alagoana: Qual show vocês acreditam que foi o mais marcante?

Lugar Algum: Cada show tem algo marcante. Mas quando paramos para pensar, tem 4 shows que para nós foram extremamente especiais. Fizemos um show de abertura para Boogarins no Rex ano passado e foi uma noite muito especial, foi um show que surgiu de última hora e foi incrível. Outro foi no início desse ano, quando tocamos com Azul Azul, uma banda muito querida por nós. Recentemente, fizemos nossa primeira turnê e um show nos surpreendeu demais: em Aracaju, a casa estava cheia e todo mundo super empolgado.

Revista Alagoana: E de um modo geral, qual foi o momento mais marcante como banda?

Lugar Algum: Não tem como pensar em outra coisa além do lançamento do álbum. Demorou mais ou menos um ano desde que começamos a gravá-lo até o lançamento de fato, mesmo não sendo um ano de gravações contínuas. Foi uma espera muito longa para a gente. Finalmente lançar o álbum e ver as reações do público foi muito gratificante, muito mais do que esperávamos. Foi lindo de verdade! 

Revista Alagoana: A estética da banda tem muito da colagem. Como foi essa escolha?

Lugar Algum: Desde que começamos a pensar a estética pro primeiro lançamento gostávamos da ideia de fazer alguma colagem ou desenho pra arte da capa. Acabou que optamos pelas colagens e levamos essa estética pro resto dos lançamentos. Mas pretendemos explorar outros lados também nos próximos lançamentos.

Revista Alagoana: O que mais te encanta na música?

Sofia: O que mais me encanta na música é a forma que ela consegue conectar as pessoas e como ela transmite sentimentos de formas diferentes para cada indivíduo. A música é um universo enorme cheio de possibilidades, onde as pessoas têm a liberdade de se identificar e interpretar de formas únicas, e fazer música é tão especial. É um amor genuíno, honestamente o que me faz feliz. Nesse universo a gente conhece muita gente legal que marca nossas vidas.

Revista Alagoana: Qual o papel que a música tem na vida de vocês?

Sofia: A música move nossas vidas. Ela sempre está presente comigo, seja em momentos tristes ou momentos felizes. E a música, no sentido de banda, tem feito muita coisa linda para nós, conhecemos várias pessoas incríveis, de produtores a parceiros de outras bandas, estamos constantemente fazendo novos amigos, conhecendo novos lugares, e isso é muito massa.

Matureu: Minha vida é a música que faço, o papel dela é principal. Sinceramente, não me vejo fazendo nada além de gravar, fazer shows e criar cada vez mais. Pode até parecer meio utópico, mas é realmente o que penso. 

Revista Alagoana: Quais os planos da Lugar Algum daqui para frente?

Lugar Algum: Continuar fazendo shows e produzindo muitas músicas novas. Começar a pensar já nos futuros lançamentos e na próxima parte da turnê!

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