Formado em 2018, grupo percussivo vive a cultura popular alagoana em sua essência
por Anna Sales

Com o tempo, o grupo foi afunilando para a prática do coco, especialmente o coco de roda, que tem uma história muito forte em Alagoas. As principais referências vieram dos grupos de coco, especialmente do coco alagoano e das mestras de coco de Alagoas, e um pouco do coco de Pernambuco.
“A tradição dos ritmos populares está completamente ligada à identidade do Coração de Mainha. Uma coisa está conectada à outra. Nossa identidade foi sendo construída justamente a partir dessas referências, dessas tradições e das experiências que vivenciamos enquanto grupo.”, conta Natália Carvalho, que faz parte do grupo.
Cultura em Alagoas
Alagoas tem um cenário cultural muito rico. Estima-se que existam 29 folguedos catalogados e muitas outras manifestações culturais. Mas, ainda existe pouco fomento e pouca valorização, especialmente em políticas públicas e políticas de Estado voltadas para a cultura.
“As pessoas que fazem parte desse cenário continuam fazendo porque amam e porque acreditam naquilo que fazem. Essa dedicação e esse amor pela cultura são muito importantes. Existe muita gente fazendo cultura em Alagoas por amor, e isso, por si só, já representa muita coisa.”, explica Natália.
Perguntados sobre outros artistas alagoanos que o público devia conhecer, o grupo respondeu:
“A gente indicaria que as pessoas conhecessem outros grupos percussivos de Alagoas, grupos de maracatu e outros grupos de coco de roda, especialmente aqueles que também trabalham com dança e outras manifestações da cultura popular.
Tem muita gente fazendo cultura em Alagoas e que merece ser conhecida. É importante que as pessoas procurem esses grupos, acompanhem suas apresentações e, principalmente, levem suas famílias e suas crianças para conhecer essas manifestações.
Mais do que assistir, é importante participar: experimentar um instrumento, dançar, conhecer de perto. É uma forma de manter essas tradições vivas e aproximar as novas gerações da nossa cultura.”
Coração de São João
O Coração de Mainha tem uma presença forte no mês de junho com o “Coração de São João”. O evento surgiu da vontade de fazer algo que tivesse a cara do grupo e que fosse construído pelo próprio Coração de Mainha. Antes disso, eles já tinham se mobilizado para realizar um evento em um momento em que a mestra havia sofrido um acidente. Foi nesse processo que perceberam que também poderiam construir algo deles, com a identidade do grupo.
“A partir daí, pensamos em trazer essa ideia para o período junino, que é uma tradição muito forte e muito querida para nós. Assim nasceu a proposta de fazer uma espécie de prévia de São João, reunindo o coco e outros ritmos que fazem parte da nossa cultura, além de grupos e artistas parceiros que também trabalham com coco, forró e outras manifestações da cultura popular. Uma das experiências que mais me marcou foi justamente conseguir realizar um evento que fosse nosso, como é o Coração de São João.” comenta Natália.
Os sentimentos do Coração de Mainha
Outras experiências também marcaram o Coração de Mainha. Uma delas foi quando o grupo se reuniu para tocar no lar de idosos, que acabou sendo de enorme importância para o nascimento deles.
E, além desses grandes momentos, eles citam que existem também as pequenas experiências do cotidiano, como os ensaios, porque é quando estão reunidos enquanto grupo, o que deixa uma marca em cada um.
Os ensaios culminam nas apresentações, que citam ser sempre um momento muito divertido e de muita alegria. E não é uma alegria só para o público, mas também para os participantes. “Quando a gente se reúne para tocar, é sempre muito incrível. Acho que isso é o que faz a diferença: a gente não toca somente para outras pessoas, a gente toca também para nós mesmos. Para estarmos juntos, para vivermos aquele momento e porque realmente amamos fazer isso.”, relata a participante.
Para o Coração de Mainha, subir ao palco é estar ali fazendo o melhor enquanto grupo, mas também poder se divertir enquanto pessoas. É viver aquele momento juntos, fazendo algo que gostam e que realmente faz sentido para eles.
“A gente espera que o público consiga sentir justamente isso: o quanto a gente gosta de estar ali e o quanto ficamos felizes quando estamos reunidos. Que as pessoas percebam essa alegria e esse vínculo que existem dentro do grupo e que, de alguma forma, também possam se sentir parte daquele momento.”, comentam.
Planos futuros
Perguntados sobre os planos para o futuro, o grupo responde:
A gente sonha em levar o Coração de Mainha para outros lugares, chegando a mais pessoas e podendo compartilhar nosso trabalho para além de Alagoas. Também queremos ter mais condições para realizar nossos projetos e contar com políticas públicas de cultura mais interessantes e acessíveis para os grupos culturais, que possibilitem que a gente continue crescendo e levando nosso trabalho para outros espaços.
A gente pensa em realizar novas festas e eventos, principalmente para chegar às pessoas que ainda não conhecem o Coração de Mainha. Também queremos continuar nossos ensaios, criar músicas novas e ampliar nosso repertório autoral, levando nossas próprias músicas para mais pessoas, não só em Alagoas, mas também para outros lugares.

