Alagoas segue com uma produção musical intensa em 2026. E tem para todos os gostos, da MPB ao Stoner rock, passando pelo rap e melô. Nessa lista, você confere um pouco de cada lançamento, além do significado para cada artista. E você pode ouvir os lançamentos em sua plataforma preferida, clicando diretamente no título de cada artista.

O primeiro álbum do cantor Lucas Bezerra presta homenagem ao compositor paraibano Totonho e reúne nomes como Geraldo Azevedo, Rita Benneditto e Zé Ibarra, todos ligados ao universo de Totonho por histórias reais, e não apenas por participações de ocasião. O artista buscou não as canções mais emblemáticas de Totonho para uma coletânea, mas “um conjunto de músicas que compartilhassem um mesmo universo de imagens e de perguntas”.
“A solidão é um assunto que atravessa o disco. Talvez seja o tema mais recorrente. Mas essa recorrência, se parar bem pra pensar, não é nada homogênea, maniqueísta ou presa a uma linhagem de pensamento que condiciona a solidão, por exemplo, às experiências amorosas, de relacionamento, essas coisas. Há uma solidão que diz respeito à própria experiência de viver o tempo que vivemos, que tem a ver com a maneira como se organiza a vida, o trabalho, as cidades, os vínculos, o desejo e até a nossa relação com o tempo. Acho muito inteligente como as canções de Totonho chegam a essa dimensão sem precisar enunciá-la diretamente. Elas falam, muitas vezes, de situações ordinárias, mas deixam entrever algo maior: as contradições de uma vida em que estamos cercados de gente, imagens, telas e estímulos e isso tudo chega na forma como a gente se relaciona com outro e com a gente mesmo. Pra fora e pra dentro. É uma questão de nosso tempo, com certeza”, revela Lucas.
crédito da imagem: Luciano Pedro Jr.

O duo experimental é formado pelo casal Bru e Vanessa. O projeto, que possui influências de indie rock, post-punk, shoegaze e noise rock, surgiu de forma espontânea, a partir de uma música que Bru havia composto e imaginou que combinaria com a voz de Vanessa.
“A Cores Mortas representa uma possibilidade de fazer e performar música de uma maneira diferente e não-convencional para gente, ao mesmo tempo em que as músicas acabam sendo um reflexo individual e enquanto um casal.”, contam.
“In which god hid the rainbow” tem como personagem um peixinho, que vive seus dias apenas procurando peixes menores para comer e sendo levado por ondas, totalmente desconhecedor do fato de carregar em seu exterior a beleza das cores do arco-íris. O arco-íris do título da música representa tanto uma espécie de promessa de que existe beleza e felicidade escondidas em algum lugar, quanto a beleza da existência de alguém que acaba ficando apenas escondida até de si mesmo, por causa da rotina e do meio.
Já “sofá rasgado e uber caro” fala sobre a frustração na sensação de como ter dias chatos torna as noites apenas expectativas para o dia seguinte e entramos num ciclo sem fim enquanto houver essas obrigações e somos afastados das coisas que queremos fazer de verdade.
O projeto marca o início de sua trajetória artística e apresenta ao público uma identidade musical construída a partir de referências da cultura e da sonoridade de Alagoas. RICKE quer se revelar como artista a partir de uma sonoridade própria, que dialoga com a música alagoana e incorpora referências contemporâneas, projeto que marca o início de sua trajetória artística e apresenta ao público uma identidade musical construída a partir de referências da cultura e da sonoridade de Alagoas, transitando entre o melô alagoano e o reggae.
“Para mim 3 Cartas é uma iniciação artística, é um processo de construção de uma nova identidade, onde assumo a identidade RICKE como um todo. As três faixas passeiam dentro desse mesmo universo revelando todo o processo: enterrar versões de si que não combinam mais, se recolher para entender o processo e retornar para a luz do sol e se permitir brilhar”, explica.
A canção, que surgiu a partir de uma fala da mãe de Nivaldo Neto, vocalista da banda, sobre como ele sempre seria bem-vindo de volta em casa, fala sobre sempre poder voltar para casa, mostrando que o lar é onde nos sentimos pertencentes. O clipe termina em Maceió, e tem puramente cenas da turnê no nordeste.
“Raízes, para mim, define um ponto crucial na jornada da Lieko: o recomeço em Maceió. Isso se dá principalmente pela forma como a nossa cidade nos abraçou quando a gente voltou, exatamente como a música fala. O clipe ser um grande compilado da turnê faz com que, pra mim, ele seja um reflexo de uma felicidade confortável, uma representação muito boa do que um lar deve ser.”, conta Gabriel, baterista.

Cães de Prata, banda de post-rock do cantor e compositor baiano-alagoano Mateus Borges, lançou um álbum que é sua própria metáfora: cacos espalhados pelo chão, refletindo os distintos anseios do artista. Mas, quando absorvidos sob um mesmo prisma de escuta, soa coeso. Segundo Mateus, este álbum “traz uma unidade estética que pode fazer deste disco uma porta de entrada para o meu trabalho, que as pessoas podem escutar e gostar”.
“Esse lançamento marca uma nova fase para a Cães de Prata. Penso que Um Ano aos Estilhaços continua a exploração que iniciei lá no Nocaute, sempre calcada por novos timbres e formatos para as minhas canções, e que de certo modo encontra aqui sua dimensão mais sinuosa nesses 40 minutos, com um arco bem definido. Também sinto que abre vários caminhos possíveis, conectando Maceió e São Paulo e novos e velhos colaboradores perdidos nessa ponte aérea.”, revela.
Crédito: Paula Raro

Com quatro faixas autorais, o trabalho mergulha nas sonoridades do stoner rock e incorpora diferentes referências musicais trazidas pelos integrantes, estabelecendo uma identidade que transita entre peso, melodia e atmosferas densas.
O EP é formado pelas faixas “A Contramão”, “A Encruzilhada”, “A Curva” e “A Estrada”, que, juntas, constroem uma sequência marcada por uma temática de movimento, escolhas e caminhos. Mais do que apenas nomear as músicas, essa recorrência cria uma unidade conceitual para o trabalho e dialoga diretamente com o título do EP.
“Esse lançamento significa o ponto de virada da banda, mudança e recomeço, um novo ponto de partida para um novo álbum que será lançado em breve.”, conta Hugo Barros, vocalista e guitarrista.

Composto por três faixas — “Aprendendo a Amar”, “Vênus” e “E Se?” — o projeto apresenta uma narrativa sobre mudança, afeto, descobertas e a coragem necessária para seguir em frente mesmo quando não existem respostas definitivas. Em vez de oferecer conclusões, o EP convida o público a habitar perguntas: como amar depois das experiências que nos transformam? O que permanece quando os sonhos mudam? E quantas versões da nossa vida cabem dentro de um simples “e se?”.
As canções partem da compreensão de que a vida é construída entre possibilidades, encontros e desvios inesperados. Nesse sentido, o EP não fala apenas sobre mudança — ele é, em si, um retrato do movimento constante que atravessa a experiência humana.
“Esse EP é para mim um respiro, uma mudança e uma forma de mostrar para o mundo um amadurecimento musical. “E se?”, particularmente, é a minha letra favorita. Convido a todos, todas e todes a ouvirem com muita atenção essa obra e se deixarem levar pelas memórias que as músicas podem trazer à tona.”, convida Mateus.

A canção antecede uma leva de singles em seu catálogo e continua explorando características já apresentadas anteriormente, como a narrativa intimista, mas agora em uma produção mais elaborada, adicionando elementos como clarinete, bateria e contrabaixo acústico.
“Esse lançamento marca uma nova fase da minha carreira, em que sinto que estou encontrando uma linguagem musical que dialoga de forma mais direta com aquilo que realmente quero expressar. Depois do meu álbum, canções de amor ao vento (2025), senti uma vontade quase absurda de guinar para outro extremo, explorando uma poética mais ácida e uma estética mais suja e profana. Passei também a experimentar mais com outros instrumentos, batidas, percussões, samples e elementos eletrônicos, além de me abrir mais para a colaboração com outras pessoas. E, sobretudo, tenho feito muitas canções de amor, só que agora não ao vento, e sim para pessoas, como quem escreve cartas para alguém.”, explica Eduardo.
crédito da imagem: Lyanna Ferro

Publicado em maio, o single ganhou um clipe exclusivo e inédito, gravado no centro velho de São Paulo e dirigido e roteirizado pela fotógrafa e diretora Marina Zabenzi. “A ideia do roteiro partiu da minha interpretação da letra da música e também de pesquisas minhas, autorais, sobre comparação de formas como tentativa de ilustrar as camadas das sensações”, explica Zabenzi sobre a concepção do projeto.
“O clipe veio pra demarcar um momento inédito do meu trabalho. Eu sempre visualizei um projeto visual atrelado a essa música. Não só eu, mas o pessoal do selo (Bg Real), e Zabenzi também, que foi a diretora. Foi muito lindo conseguirmos juntar uma equipe tão absurda como a que tivemos, com pessoas que sempre admirei o trabalho e sonhei em trabalhar junto, com muitos dos meus grandes amigos e parceiros da vida, com o elenco grandioso de Erom Cordeiro, meu amado amigo de Maceió, e Rodrigo Bolzan, amigo que fiz já morando em São Paulo. Me sinto muito privilegiada e sortuda em poder iniciar esse momento inédito dessa maneira. E para além da produção impecável, me faz imensamente feliz e satisfeita por ter tido o clipe sob direção e roteiro da Zabenzi. Ela tem uma pesquisa muito sólida e sensível, que sempre esteve alinhada com minhas inclinações pessoais, me deixa curiosa, me instiga e intriga. Então foi muito especial poder trabalhar com todo esse cenário conceitual e profissional.”, revela Marina Nemésio.
crédito da imagem: Aleph Loureiro
“Sessão de Terapia” representa um espaço de desabafo do artista e carrega uma relação antiga do artista com a música. Desde criança, WILL tinha dificuldade em expressar seus sentimentos e encontrou na composição uma maneira de dar voz ao que sentia. Anos depois, essa necessidade de se expressar se transformou em um projeto autoral.
O EP reúne diferentes momentos e perspectivas, passando por temas como relações, decepções, desejo, solidão, memórias e conflitos internos. A proposta não é apresentar uma única história, mas criar uma identificação com quem também enfrenta seus pensamentos em silêncio.
“Esse lançamento do meu EP representa muito mais do que lançar músicas. É um sonho que eu venho carregando há muito tempo e, de certa forma, é uma maneira de colocar pra fora coisas que muitas vezes eu não consigo falar. Eu sempre enxerguei a música como uma forma de terapia, de desabafo, e foi daí que veio o nome “Sessão de Terapia”., conta Will.
Vibrações e MV Bill – single “Poder para o povo”
A união inédita entre Vibrações e o rapper MV Bill resulta em um verdadeiro manifesto sonoro. A faixa une a energia solar e pulsante do reggae consciente com a poesia crua, direta e urgente do rap nacional, criando uma sonoridade encorpada de forte apelo urbano e social.
“Mais do que uma música, “Poder para o Povo” é um chamado urgente à autonomia, à consciência coletiva e à reflexão social. Lançada estrategicamente no dia 2 de outubro, a apenas 48 horas do 1º turno das eleições, a faixa chega para ocupar o espaço do debate público, ecoando a voz das periferias, a luta por direitos e a necessidade de protagonismo popular em um momento decisivo para o país.”, revela a banda.
Ricke – ep “Três Cartas”
Lieko – single/clipe “Raízes”
Will – EP “Sessão de Terapia”