Fiscal de reflorestamento há 15 anos, André Santos fala sobre fotografia, memória e a sua relação construída com a natureza
por Maryana Carvalho sob supervisão de Anna Sales

Acompanhando de perto a recuperação de áreas degradadas, André Santos construiu sua trajetória profissional no reflorestamento. Há 15 anos atuando como fiscal ambiental, ele observa diariamente as mudanças da paisagem e os ciclos da natureza. Paralelamente ao trabalho técnico, encontrou na fotografia uma forma de registrar essas transformações e dar visibilidade a cenários, espécies e histórias que surgem com o tempo.
Em entrevista à Revista Alagoana, ele falou sobre sua história, o início do interesse pela fotografia e a relação construída ao longo dos anos com a natureza, a partir da experiência no reflorestamento.
Confira:
R.A: André, antes de falarmos sobre seu trabalho, gostaria que você se apresentasse. Quem é André Santos e de onde você vem? Pode contar um pouco da sua história?
André Santos: O André é um cara que, na infância, gostava de inventar coisas e era bem curioso com tudo. Sou casado, tenho três filhas lindas e sou natural de Coruripe. Minha família é daqui, somos 11 irmãos e eu sou o sétimo. Tenho 36 anos, sou cristão e, na igreja, faço parte da equipe de mídia. É onde uso a câmera, que é a parte de mim que mais gosto: fotografar e produzir vídeos.
R.A: Em que momento a fotografia passou a fazer sentido para você? Houve alguma experiência, encontro ou fase da sua vida que te levou a enxergar a imagem como forma de expressão?
André Santos: Eu sempre gostei de fotografia. Ficava curioso com as máquinas antigas de filme, tentando entender como é que dali saía uma foto. Eu desenhava e, como não tinha câmera, fazia desenhos de pessoas, da natureza, do céu e de personagens. Passado algum tempo, ganhei uma câmera Kodak vermelha e foi assim que comecei a me divertir, porque a diversidade de cenas e expressões nas pessoas nos deixa fascinados por aquilo.

R.A: As suas fotografias retratam principalmente a natureza. O que te atrai nesse tema e de que forma essa escolha dialoga com a sua visão de mundo e com a mensagem que você busca transmitir por meio das imagens?
André Santos: A natureza tem um papel fundamental na vida dos fotógrafos. Hoje, as pessoas vivem muito ocupadas em seus próprios mundos; eu tento transmitir que ainda há vida além de tanto trabalho e preocupações. Há um mundo que poucos conhecem – a fauna e a flora – onde existe uma diversidade de cenas que, muitas vezes, é pouco apreciada.
R.A: Você comentou que se sente reflexivo ao fotografar casas e monumentos antigos, por tudo o que eles carregam de história e memória. Como a fotografia te ajuda a preservar essas lembranças e a dar visibilidade a histórias que muitas vezes acabam sendo esquecidas com o tempo?
André Santos: Há histórias que ficam em paredes de casas, monumentos e lugares por onde uma geração movida pela tecnologia passa e deixa no esquecimento. A fotografia guarda essa história em uma imagem. Ela preserva os detalhes, as cores e até dá a ideia de criar algo semelhante, seja em casas ou monumentos.

R.A: Quando você vai fotografar, como é que nasce a ideia? O que costuma te chamar atenção até virar a foto final?
André Santos: Por fotografar mais cenas em movimento, como os pássaros, eu sempre tento não fazer barulho até que eles fiquem quietos. Já em paisagens, sempre me lembro de quadros em paredes e penso: “Essa cena daria um belo quadro”.
R.A: Trabalhar com reflorestamento deve envolver observar transformações ao longo do tempo. De que forma isso aparece nas suas fotos? Você costuma capturar mudanças ou ciclos da natureza?
André Santos: A mudança é contínua. Por estar nessa jornada há 15 anos, vejo em cada árvore plantada uma transformação. Uma área que foi plantada há 10 anos hoje já é uma mata. Em tempos de floração, os ipês criam cenas muito lindas. Nesse ciclo, também observamos os animais que começam a morar nessas matas que, outrora, foram desmatadas.
R.A: Como você equilibra o seu olhar técnico de quem trabalha com meio ambiente e o lado mais artístico da fotografia? Há momentos em que um fala mais forte que o outro?
André Santos: Eu gosto de juntar os dois, mas é da natureza que gosto mais. Ela é quem está comigo, seja andando em trilhas, fotografando os pássaros, as árvores, as flores ou os animais.