Em ano eleitoral, mostra em Maceió reúne filmes de Heloisa Passos sobre memória, política e território

Construindo Pontes revisita a polarização política a partir da relação entre pai e filha, enquanto o premiado Replikka, codirigido pelo cineasta indígena Piratá Waurá, concorre a uma vaga no Oscar

Replikka recebeu prêmios de Melhor Direção e Melhor Edição de Som no Festival de Brasília e o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta-Metragem no Panorama Internacional Coisa de Cinema. Foto: Reprodução/Replikka.

Em pleno ano eleitoral, a Sessão MLHRS+ Helo Passos: entre o íntimo e o político propõe olhar para questões como democracia, memória e território a partir de dois filmes da cineasta Heloisa Passos. A mostra acontece no dia 8 de outubro, às 18h, no Theatro Homerinho, em Maceió, com exibição de Replikka (2025) e Construindo Pontes (2017), seguida de bate-papo com a realizadora.

Em Construindo Pontes (2017), Heloisa volta a câmera para a relação com o pai, Álvaro, engenheiro que viveu o auge da carreira durante a ditadura civil-militar. Diante de posições políticas distintas, pai e filha revisitam memórias familiares e a própria história do Brasil enquanto tentam construir um espaço possível de diálogo.

Filme Construindo Pontes. Foto: Reprodução/Divulgação

Filmado em 2016, o documentário nasceu justamente quando as tensões políticas atravessavam também as relações familiares. No pressbook do filme, a equipe descreve a obra como uma tentativa de transformar uma experiência pessoal em coletiva e de pensar, através dos afetos, o diálogo como exercício cotidiano da democracia.

Vista em 2026, a obra lança novamente uma pergunta que parece atravessar diferentes momentos da democracia brasileira: como dialogar com quem está tão perto de nós — e pensa tão diferente?

A sessão apresenta também Replikka, codirigido por Heloisa e pelo cineasta indígena Piratá Waurá, do território do Xingu. Falado inteiramente em língua Aruak e realizado com a participação de jovens da aldeia, o curta acompanha a reconstrução da gruta sagrada de Kamukuwaká, vandalizada em 2018, aproximando tecnologia e saberes indígenas em uma história sobre memória, ancestralidade, território e resistência.

O filme venceu o prêmio de Melhor Curta Documental Internacional no Hot Docs 2026, no Canadá, resultado que o qualificou para consideração ao Oscar de Melhor Documentário em Curta-Metragem. É o primeiro curta brasileiro codirigido por um cineasta indígena a conquistar a premiação. Replikka também recebeu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Edição de Som no Festival de Brasília e o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta-Metragem no Panorama Internacional Coisa de Cinema.

Filme Replikka. Foto: Reprodução/Divulgação.

Exibidos juntos, os dois filmes partem de experiências muito distintas para aproximar memória pessoal e coletiva, família e território, passado e presente — e pensar como a política atravessa dimensões aparentemente íntimas da vida.

A atividade encerra quatro dias de programação da Escola Mulheres+ no Cinema com Heloisa Passos. De 5 a 7 de outubro, a cineasta conduz no Sebrae Alagoas a oficina gratuita “Direção e direção de fotografia: nos encontros entre a memória e a imaginação”.

Sessão MLHRS+ Helo Passos: entre o íntimo e o político

8 de outubro, às 18h | Theatro Homerinho
Replikka (2025) + Construindo Pontes (2017) + bate-papo com Heloisa Passos
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla – acesse aqui.

A Escola Mulheres+ no Cinema é uma produção da Piracema Studio, realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (Minc), operacionalizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult-AL). Apoio: Theatro Homerinho, Sebrae Alagoas, Associação Olha o Chico e Desaguar Potengy.

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