Por João Vitor da Costa Góis dos Santos

Há alguns anos fui surpreendido por uma mensagem amistosa no Instagram. Após  seguir o perfil da artista, na rede social, ela surgiu na DM com uma mensagem  pronta de agradecimento e sugeriu que eu ouvisse seu álbum de 2019, “Fenda”, do  seu lançamento então mais recente. 

Me recordo bem deste dia porque, coincidentemente, era o dia do meu aniversário e  eu estava numa boa vibe. Vivíamos o início da infame pandemia, mas neste dia me  ocorriam sentimentos bons de gratidão (também) e de autocuidado. 

Então me dei a liberdade de buscar esfriar a cabeça e encontrar em algum lugar  dela, um momento de fugir da realidade ou olhar a vida por um novo ângulo.  Buscando fazer as coisas que gosto, que me dão alegria e esperança nesse mundo.  E aceitei o ‘desafio’ da Papisa, alcunha de Rita Oliva. 

Comecei a ver as fotografias que acompanham o perfil na rede social. De forma  espontânea ou estrategicamente calculada, Rita construiu muito bem sua identidade  visual artística como Papisa. 

A arte é muito bem produzida e muito bela. Elas nos abrem os olhos. Nos dizem  muitas coisas, sem precisar de uma palavra. 

Mesmo sem nunca ter ouvido a música, Papisa não me era um nome estranho. Eu  já tinha visto em algum canto da internet, seja nas recomendações de sites, blogs  ou em matérias sobre música autoral. 

Descobri de verdade a artista de uma forma inusitada. 

Em 2015/2016, fui a um show da banda Terno Rei no antigo Pub Fiction, e na  barraquinha de merch tinha um boné do selo da Papisa, a PWR. Sem saber de  nada, fui pesquisar que selo e gravadora era essa. 

E no site Bandcamp achei o catálogo delas, comecei a ouvir a banda Ema Stoned,  um dos projetos da gravadora, que é fortemente marcado pela presença e  protagonismos feminino e isso pode ter encurtado os caminhos do destino. Então  uma coisa acabou puxando a outra. 

E o algoritmo sugeriu a cantora.

Então, vamos à minha experiência com o disco “Fenda” (2019). 

Rita Oliva é a voz e muitos dos instrumentos por trás da personalidade de Papisa. 

Com muito misticismo presente na música, você pode acabar questionando seu  próprio ceticismo. Como algumas vezes aconteceu comigo. 

Outros jornalistas que já escreveram sobre Papisa, sempre mencionam suas  performances ao vivo. 

Que apesar de não ter vivenciado presencialmente (ainda), me lembrou um ritual de  magia ou uma cerimônia de contato com o sagrado. 

Esotérica. 

Pois assim ela se mostra. 

Fã de astrologia, natureza, meditação, cristais e tudo que é relacionado a esse  mundo bruxo e da busca do crescimento interior. 

Se posso colocar assim. 

Mas Papisa é música e além, nunca uma coisa só. 

Para mim, ouvi-la foi me comunicar com a alma. 

A sua voz cantada e falada é muito doce e agradável, formando uma harmonia  singular com os instrumentos. 

Além da produção do álbum, todos os instrumentos foram gravados em casa, cada  um em um cômodo, de forma bastante artesanal e orgânica. 

Experimentou, testou, ouviu e colocou em prática. 

E assim foi criando. 

Colocou todos os ingredientes no seu caldeirão, proferiu seus encantos, invocou e  derramou ali sua essência. 

Ou tudo aquilo que estava dentro de si e transbordava. 

Como ela canta na faixa-título:

“Fecho o olho pra enxergar a escolha que é só minha (…)/ Hoje vou me esvaziar num feitiço de banimento (…)”

Para mim, ouvir Fenda foi encontrar o profundo, ser tocado pelo místico, o onírico e  o que não tem nome.

“’Fenda’ é o primeiro álbum de Papisa, projeto da cantora, compositora e instrumentista Rita Oliva. Produzido e gravado por ela em seu estúdio caseiro, o disco flerta com indie rock e dream pop com melodias brasileiras e carrega a aura mística que circunda o projeto – seja em seus vídeos, nos shows ritualísticos ou nos temas abordados nas letras. Inspirado na investigação do universo interior, Fenda é também um convite para penetrar nos mistérios do invisível, descobrindo-se parte dos ciclos de morte e renascimento.”

– Sem preconceitos, é a experiência de se entregar e se deixar levar.

O álbum foi eleito um dos melhores de 2019, tanto por sites especializados como canais de Youtube.

Eu recomendo.

Mas, atenção!

Você corre o risco de se apaixonar também..

Créditos do álbum

  • Bateria, vozes, synth, baixo synth, guitarra, violão, percussão, programação e piano rhodes: Papisa (Rita Oliva)
  • Bateria em Semente: Theodora Charbel
  • Synths adicionais em Terra e Retrato Infinito: Luna França
  • Coro em Espelho: Luna França, Stéphanie Fernandes e Theodora Charbel
  • Produzido e gravado por Papisa (Rita Oliva), exceto o piano rhodes de A Velha e a guitarra de Semente, gravados por Gilberto Ribeiro Jr. e Guri Assis
  • Mixado por Alejandra Luciani, exceto Moiras e A Velha, mixadas por Taian Cavalca
  • Masterizado por Florencia Saravia-Akamine

Capa

Direção de arte e conceito: Thais Jacoponi

Foto: Déborah Moreno

Fontes

Programa Fique Ligado (TV Brasil)

Ouvir disco no Youtube

Outros links
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@papisabrisa

Site oficial

www.papisabrisa.com

Perfil no Spotify

https://open.spotify.com/intlpt/artist/0DvW5foWWFUfe8xHEtPtNE?si=TI7FEP0hS1OhF7PCron0CA

Ouvir no Spotify

https://open.spotify.com/intlpt/album/5LtyLYlh4SDbkjzVY51IIV?si=VILjR0ioSXu6unrkRtJT_A

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